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Consequências da infecção neonatal por Zika

Estudo brasileiro inédito aponta as consequências da infecção neonatal por Zika na vida adulta
Pesquisadores da UFRJ tamb√©m conseguiram, pela primeira vez, aplicar uma subst√Ęncia capaz de inibir a inflama√ß√£o no c√©rebro, abrindo caminhos para tratamentos contra a doen√ßa

Muito j√° se descobriu sobre os efeitos da infec√ß√£o de fetos pelo v√≠rus Zika, como a ocorr√™ncia de microcefalia e dist√ļrbios neurol√≥gicos, entre os quais epis√≥dios de convuls√£o, mesmo em beb√™s que nasceram com tamanho normal de cabe√ßa. O que ainda n√£o se sabia era se crian√ßas infectadas pelo v√≠rus Zika ainda na gesta√ß√£o poderiam vir a apresentar sequelas na vida adulta. Tampouco havia estudos que indicassem a possibilidade de tratamentos eficazes contra a doen√ßa.

Agora, uma pesquisa brasileira inédita, publicada no importante periódico Science Translational Medicine, indica a possibilidade de consequências permanentes nas crianças infectadas, que ainda não podem ser vistas na população. O artigo aponta ainda caminhos para o desenvolvimento de uma terapia capaz de tratar a infecção na fase aguda, reduzindo as chances de problemas neurológicos permanentes. O estudo foi coordenado pelas virologistas Andrea Thompson Da Poian e Iranaia Assunção-Miranda e as neurocientistas Julia R. Clarke e Claudia Figueiredo, todas da UFRJ.

Sequelas em adultos
Usando camundongos como modelo experimental, o grupo acompanhou o desenvolvimento dos animais desde a fase neonatal, no período agudo da infecção, até alcançarem a vida adulta. Além de compreenderem em detalhes a ação do vírus - sua disseminação pelo corpo, como e onde se dá sua replicação - e que sintomas se manifestam durante o ápice da doença, os cientistas também puderam acompanhar o desenvolvimento e as consequências da infecção ao longo da vida dos indivíduos.

A principal descoberta foi a persist√™ncia da atividade do v√≠rus no c√©rebro de adultos, mesmo ap√≥s os camundongos terem apresentado melhoras e n√£o demonstrarem mais sintomas da doen√ßa. Notou-se ainda que esses indiv√≠duos traziam altera√ß√Ķes neurol√≥gicas e cognitivas permanentes, sendo mais propensos a crises de convuls√£o ou a desenvolverem altera√ß√Ķes de comportamento na vida adulta.

Os resultados s√£o importantes pois apontam a necessidade de acompanhamento das crian√ßas infectadas pelo v√≠rus na epidemia de 2015-2016, que hoje t√™m no m√°ximo tr√™s anos. ‚ÄúA gente tem que ter aten√ß√£o com essas crian√ßas, porque elas podem estar suscet√≠veis a desenvolver problemas neurol√≥gicos na vida jovem ou adulta‚ÄĚ, alerta Andrea Thompson Da Poian, professora do Instituto de Bioqu√≠mica M√©dica (IBqM) da UFRJ, integrante do Instituto Nacional de Ci√™ncia e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB) e uma das coordenadoras do estudo.

Caminhos para tratamento
Ap√≥s ter mapeado o desenvolvimento da infec√ß√£o, o grupo observou que, durante a fase aguda, o c√©rebro dos indiv√≠duos apresentava quadros de neuroinflama√ß√£o caracter√≠sticos de outras doen√ßas neurol√≥gicas. A partir da√≠, os cientistas puderam testar diferentes subst√Ęncias anti-inflamat√≥rias j√° existentes e usadas na preven√ß√£o de inflama√ß√Ķes similares. O objetivo era inibir o avan√ßo do quadro ou, ao menos, reduzir as chances de sequelas duradouras.

Uma das drogas aplicadas, chamada infliximab, mostrou resultados promissores. O medicamento √© usado na inibi√ß√£o da a√ß√£o da citocina TNF-a, mol√©cula associada a casos de inflama√ß√£o aguda e que apareceu em grande quantidade nos c√©rebros infectados pelo v√≠rus Zika. Os camundongos infectados tratados com a subst√Ęncia apresentaram menos consequ√™ncias da doen√ßa na vida adulta que aqueles n√£o tratados. ‚ÄúIsso √© um indicativo de que se a gente consegue tratar a neuroinflama√ß√£o na fase aguda, quando se est√° no auge da replica√ß√£o do v√≠rus, isso pode diminuir as sequelas que venham depois e a pr√≥pria doen√ßa em si‚ÄĚ, afirma Da Poian. A pesquisadora alerta, no entanto, que mais estudos s√£o necess√°rios para se chegar a uma terapia eficaz contra a infec√ß√£o pelo v√≠rus Zika. ‚ÄúTrata-se de um ponto de partida para o desenvolvimento de um tratamento de fato efetivo‚ÄĚ, afirma.

O artigo "Acute and chronic neurological consequences of early-life Zika virus infection in mice" pode ser acessado no site do períodico.

Para mais informa√ß√Ķes: inbeb.ascom@gmail.com

Por Luana Rocha (AsCom INBEB)
Publicado em 07/06/2018

 
     
     
   
     
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